100 dias para compreender a fáscia100 dias para compreender a fáscia — um corpo mais consciente, livre e conectado

    Dia 6 dos 100 dias para compreender a fáscia

    · por Christine Coelho

    A menopausa muda a fáscia?

    Hormonas, tecidos conjuntivos, fáscia e movimento numa fase de transformação

    A menopausa muda a nossa fáscia?

    Durante a menopausa, muitas mulheres começam a sentir alterações no corpo:

    • mais rigidez;
    • mais dores;
    • alterações na recuperação;
    • ou uma sensação de que o corpo já não responde da mesma forma.

    Mas será que podemos atribuir tudo às hormonas?

    E que relação existe entre o estrogénio, os tecidos conjuntivos e a fáscia?

    É isso que vamos explorar neste Dia 6 dos 100 dias para compreender a fáscia.

    O estrogénio e os tecidos conjuntivos

    Quando falamos de menopausa, normalmente pensamos nas alterações mais conhecidas: os afrontamentos, as alterações do sono ou as alterações do ciclo menstrual.

    Mas as hormonas têm efeitos em muitos outros tecidos do nosso corpo.

    O estrogénio participa em vários processos relacionados com os tecidos conjuntivos e com a remodelação da matriz extracelular.

    E isto torna-se particularmente interessante quando falamos da fáscia.

    Porque a fáscia também é tecido conjuntivo.

    A fáscia responde às hormonas?

    A investigação já identificou receptores hormonais em tecido fascial humano, incluindo receptores de estrogénio e de relaxina.

    Os fibroblastos, células importantes na produção e manutenção de componentes da matriz extracelular, também podem responder a diferentes ambientes hormonais.

    Isto sugere que as hormonas podem influenciar o ambiente em que os tecidos conjuntivos se mantêm e se remodelam.

    Mas precisamos de ter cuidado com as conclusões.

    Não podemos simplesmente dizer:

    “A menopausa deixa a fáscia rígida.”

    Essa afirmação é demasiado simples.

    A minha experiência pessoal

    Eu própria já passei pela menopausa. Tenho 54 anos e vou fazer 55. E sabes uma coisa? Eu praticamente não tive sintomas. Não tive aquela experiência que muitas mulheres descrevem de sentirem que, de repente, o corpo mudou completamente. E eu própria me perguntei: Porquê? Será que foi porque nunca parei de me mexer? Porque nunca deixei de fazer exercício? Porque faço treino de força, Pilates, Yoga e trabalho especificamente a mobilidade e a fáscia?

    Eu não posso afirmar que foi por isso. Seria cientificamente incorrecto dizer que a minha ausência de sintomas foi causada pelo exercício.

    Mas acho que a pergunta é muito interessante.

    Porque sabemos que a actividade física pode ter efeitos positivos em vários aspectos da saúde durante a menopausa, incluindo a qualidade de vida e alguns sintomas.

    E isto faz-me pensar numa coisa muito importante:

    talvez não devêssemos esperar pela menopausa para começar a cuidar do nosso corpo.

    Preparar o corpo para esta fase

    Talvez devêssemos preparar o corpo muito antes.

    Não para impedir a menopausa.

    Não para impedir todas as alterações que acontecem.

    Mas para chegarmos a esta fase com:

    • força;
    • mobilidade;
    • coordenação;
    • resistência;
    • e uma boa relação com o movimento.

    É aqui que entra uma abordagem global do corpo.

    Força.

    Mobilidade.

    Respiração.

    Coordenação.

    Equilíbrio.

    Diferentes amplitudes de movimento.

    E também o sistema fascial.

    Uma visão global do corpo pode ser particularmente importante nesta fase da vida.

    Menopausa e movimento

    Durante a menopausa, algumas mulheres podem começar a mexer-se menos.

    Porque dormem pior.

    Porque sentem mais dores.

    Porque têm menos energia.

    Porque sentem o corpo diferente.

    E podemos entrar num ciclo:

    menos movimento → menos estímulo → perda de capacidade física → mais dificuldade em movimentar → ainda menos movimento.

    Por isso, quando falamos de menopausa, não devemos olhar apenas para as hormonas.

    Temos de olhar para o corpo inteiro.

    O movimento continua a ser importante

    O movimento é uma das formas através das quais damos estímulo ao corpo.

    Caminhar.

    Treinar força.

    Mobilizar.

    Variar posições.

    Explorar diferentes amplitudes.

    Dançar.

    Respirar.

    E continuar a desafiar o corpo de uma forma adequada àquilo que consegue fazer.

    Não para “combater a menopausa”.

    Mas para continuar a construir capacidade física durante esta fase da vida.

    O corpo continua a adaptar-se

    A menopausa não significa que o corpo deixou de se adaptar.

    O corpo continua vivo.

    Continua a remodelar tecidos.

    Continua a responder aos estímulos.

    Continua a adaptar-se.

    Talvez aquilo que precisemos seja de mudar a forma como cuidamos dele.

    Talvez já não possamos exigir exactamente a mesma coisa que exigíamos aos 20 anos.

    Mas podemos continuar a desenvolver:

    • força;
    • mobilidade;
    • coordenação;
    • resistência;
    • e confiança no nosso próprio corpo.

    O corpo é uma rede de relações

    Nesta série começámos por falar sobre o que é a fáscia.

    Depois percebemos que ela participa no nosso sistema sensorial.

    Falámos do que acontece quando deixamos de nos mexer.

    Falámos do espreguiçar e da transição entre repouso e movimento.

    Falámos sobre envelhecimento.

    E agora acrescentámos mais uma peça deste puzzle:

    as hormonas.

    Porque o corpo não funciona por peças isoladas.

    O corpo é uma rede de relações.

    Conclusão

    A menopausa muda o corpo. Mas não significa que o corpo deixou de ser capaz de se adaptar.

    A menopausa é uma nova fase fisiológica.

    E podemos atravessá-la continuando a desenvolver força, mobilidade, capacidade física e confiança no nosso corpo.

    Gostaste deste artigo?

    Partilha com quem também possa gostar de o ler.

    Facebook

    🌿 Queres continuar esta viagem?

    Este artigo acompanha o Dia 6 da série “100 dias para compreender a fáscia” no YouTube.

    Ver o Dia 6 no YouTube

    Fáscia depois dos 40

    Se tens mais de 40 anos e queres começar a compreender algumas das mudanças que podes sentir no teu corpo, preparei também um guia gratuito.

    5 coisas que podes começar a sentir no corpo depois dos 40 — e como compreendê-las.

    Quero receber o guia gratuito →

    Referências científicas